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Divulgações Técnicas

Set/Out/Nov/2004 - Manejo do potássio na adubação de semeadura - nº167
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Manejo do potássio na adubação de semeadura

Wagner Antonio Chueri, Osmar Cardoso Júnior e Roberto dos Anjos Reis Júnior

Em alguns programas de adubação, altas doses de potássio (KCl) é predominantemente utilizado, em cerca de 96% (ANDA, 2001). A definição da dose de K2O utilizada na semeadura requer cuidados, pois este pode afetar significativamente a germinação da semente e até a arquitetura da raiz em decorrência de possíveis efeitos salinos do KCl. Em regiões áridas ou sujeitas a déficit hídrico esse efeito é mais provável, pois há maior concentração de sais na solução do solo que danificam as sementes ou raízes.


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Malavolta (1982) refere-se ao índice salino como sendo a tendência do adubo em aumentar a pressão osmótica da solução do solo comparada à de igual pese de nitrato de sódio cujo valor referência é igual a 100. Quanto menor o índice salino do fertilizante, menos o risco de causar dano a planta ou a semente em períodos de seca ou com aplicação localizada. O índice salino pode ser medido através da condutividade elétrica (expressa em dS/m), que aumenta com a concentração de sais na solução de solo. Em condições salinas, a planta exigirá mais energia para conseguir absorver água, energia esta que será desviada dos processos metabólicos essenciais (TOMÉ, 1997). As culturas de milho e soja cessariam seu crescimento vegetativo com 10,0 dS/m e atingiriam seu máximo potencial de produção com 1,7 e 5,0 respectivamente. O fluxo da água se processa em função de um gradiente no potencial da água no solo, que se dirige da zona com potencial de umidade elevado para aquela de potencial mais reduzido (BRANDY, 1989), explicando os possíveis danos às culturas quando em condições salinas.

Em virtude da importância do potássio na adubação, diversos trabalhos têm sido realizados avaliando a resposta de produtividade. Broch et al. (1999) realizaram experimento a campo com cultura do milho safrinha, estudando o comportamento da adubação potássica no sulco de semeadura, usando 200 kg há-³ da fórmula 19-10-19 (38 kg de K2O no sulco de semeadura). Os resultados demonstraram uma redução de 36,5 no estande final (B), ocorrido por efeito salino, em relação à área não adubada.


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Dado relevante é que não houve precipitação do plantio até a avaliação dos dados. Salton et al. (2002), trabalhando em bandejas com areia lavada, avaliaram diretamente as dosagens de potássio na linha de semeadura na cultura da soja, com o adubo de formulação 0-20-20 nas dosagens 0, 150, 300, 450, 600 kg ha-¹, o que fornecia respectivamente 0, 30, 60, 90, 120 e 150 kg de K2O ha-¹, observou que desde a menor dose houve uma redução de 30% no número de plantas e no comprimento das raízes, e ainda decréscimo na produtividade. Observou-se ainda queda na produção de matéria seca nas dosagens de 30 a 90 kg de K2O há-¹. Lacerda et al. (2003), em trabalho realizado com sorgo forrageiro, submeteram as plantas a soluções de sais de K e Na e constataram que o aumento das concentrações de K reduziram seu crescimento em maior proporção do que o Na. O estresse salino causou ainda aparecimento de injúrias a partir do ápice foliar caracterizada por cloroses seguidas de necroses, sendo essas mais evidentes nas folhas mais velhas. Segundo a Fundação MT (2004), é recomendado que a dose de K2O não ultrapasse 50 kg ha-¹ na linha de semeadura da soja, em solos de textura arenosa. Fancelli (2002) também recomenda que a dose máxima de aplicação de K2O na semeadura da cultura do milho seja de 50 kg ha-¹, aplicados preferencialmente distante 8 cm das sementes. As quantidades excedentes devem ser aplicadas em pré-semeadura da cultura ou em cobertura, dependendo da textura do solo. Kluthcouski & Stone (2003) relatam diversos trabalhos afirmando que a adubação potássica realizada de forma mais profunda é mais eficaz, principalmente nos anos em que há deficiência hídrica. Bevilaqua et al. (1996) realizaram estudo sobre efeito do posicionamento de fertilizantes fosfatados e potássicos, para a cultura do milho, avaliando distâncias de posicionamento do fertilizante de 0 a 7,5 cm abaixo e ao lado da semente. O experimento concluiu que a posição do fertilizante que proporcionou melhor percentagem e velocidade de emergência e peso da matéria seca de plântulas foi entre 4,5 e 6 cm ao lado e abaixo da semente. O potássio foi mais absorvido na distância de 4,4 cm ao lado e abaixo da semente. Vilela & Bull (1999) realizaram experimento em casa de vegetação com a cultura do milho, onde avaliaram duas dosagens de KCl e três condições de estresse hídrico, concluindo que as maiores dosagens (130 mg DM-³) de K, independentemente do nível de estresse hídrico submetido, produziram maiores quantidades de matéria seca. A possibilidade de aplicar todo o fertilizante potássico na semeadura do milho permite redução das operações agrícolas, reduzindo o custo de produção do agricultor, sendo assim, é importante realizar trabalhos para avaliar a existência de efeitos de efeitos deletérios oriundos da utilização de todo o adubo potássico na linha de semeadura do milho. O presente trabalho teve como objetivo avaliar características morfológicas, o estado nutricional e a produtividade do milho sob diferentes manejos da adubação potássica.

Material e métodos

O experimento, localizado em Chapadão do Sul/MS (18º46'47''S, 52º38'40''W, 816m), foi instalado em um solo cujas características químicas e físicas estão descritas no quadro I.


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O experimento, delineado em blocos ao acaso com seis repetições, consistiu de cinco tratamentos: quatro formas de adubação potássica e um tratamento adicional. A fonte de porássio (K2O) foi o cloreto de potássio (KCl). Cada parcela foi formada por oito linhas de plantio, como espaçamento de 0,80 m e 25 metros de comprimento. Foram consideradas como plantas úteis, aquelas das duas fileiras centrais, descartando-se cinco metros de cada extremidade.

Em 19/11/2001, o híbrido Pioneer 30K75 foi semeado com os fertilizantes descritos no quadro 2. Para operação de semeadura foi utilizada a semeadora da marca Semeato, modelo SHM 15/17, que aplicou o fertilizante a uma distância de 5 cm abaixo e ao lado das sementes de milho. As distribuições diárias e mensais de chuvas na área do experimento, durante sua condução, estão descritas na figura 3 e no quadro 3, respectivamente. O volume e distribuição são considerados adequados e regulares para os padrões normais da região.

A adubação de cobertura foi de 590 kg/ha de Sulfato de Amônio (dividido em duas aplicações: 4ª e 6ª folha), além das doses de potássio descritas no quadro 2.

O pH e teores de matéria orgânica, K, Ca, Mg, Al, H+Al, Na, P, S, B, Cu, Fe, Mn e Zn do solo foram avaliados coletando-se amostras compostas (36 amostras simples coletadas nas repetições para formar uma amostra composta representando cada tratamento) na linha de plantio e à profundidade de 0-15 cm aos 10 dias após a emergência das plantas. Amostragem foliar foi realizada quando 50 a 75% da lavoura apresentou a inflorescência feminina, coletando-se abaixo e oposta à primeira espiga, descartando-se a nervura central (COELHO&FRANÇA, 2004). As amostras foliares foram analisadas quimicamente para determinação dos teores de N, P, K, Ca, Mg, S, Al, B, Co, Cu, Fe, Mo, Mn, Na e Zn, segundo as metodologias descritas por Malavolta et al. (1989). Os teores foliares observados foram comparados aos padrões propostos por Coelho & França (2004) Quadro 4.

Na colheita (05/04/2002), foram avaliadas as alturas de inserção da 1ª espiga e de plantas e produtividade (com umidade corrigida para 13%). Os teores foliares, as alturas de inserção de espigas e de plantas e a produtividade foram submetidos à análise de variância.


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Resultados e Discussão

Os resultados das análises químicas das amostras de solo estão descritos no quadro 5. Embora não tenha sido realizada análise estatística destas variáveis, nota-se que os tratamentos 1, 3 e 4 apresentam teores de K similares entre si, enquanto que o teor de K na linha de plantio foi maior no tratamento 2, no qual foi aplicada a maior dose de potássio no plantio. O tratamento 5 apresentou menor teor de K e similar ao teor observado antes da instalação do experimento, pois neste tratamento a aplicação de potássio ocorreu após a amostragem de solo.

Os teores foliares de N, P, Ca, Mg, S, Al, B, Co, Cu, Fe, Mo, Mn, Na, Zn, e as alturas de inserção de 1ª espiga e de plantas não foram influenciados pelas formas de adubação potássica, tampouco pela ausência de adubação potássica. Os valores médios destas variáveis em cada tratamento estão descritos no Quadro 6. Os teores médios foliares de P, Ca, Mg, Cu e Zn estão dentro da faixa considerada como adequada, enquanto os teores foliares médios de N, S, Mo e Fe foram superiores àqueles considerados como adequados e os teores foliares médios de B e Mn foram inferiores àqueles considerados como adequados, segundo os padrões citados por Coelho & França (2004).

O teor foliar de potássio não foi estatisticamente diferente entre os tratamentos 2, 3, 4 e 5, apresentando valor médio de 20,6 g/kg, considerado como adequado segundo os padrões citados por Coelho & França (2004). Entretanto, o teor foliar de potássio observado nos manejos de adubação potássica foi estatisticamente superior (p<0,05) ao observado no tratamento sem adubação potássica, que apresentou valor médio de 18,4 g/kg, o qual é inferior aos valores considerados como adequados (COELHO & FRANÇA, 2004).  Assim, constata-se que a adubação potássica, independentemente do manejo de aplicação de KCl, elevou o teor foliar de potássio a patamares considerados como adequados, visto que sem a adubação potássica, o teor de K foi considerado baixo.

A produtividade de milho foi estatisticamente igual entre as formas de adubação potássica, apresentando valor médio de 82,7 sc/ha. Este resultado é coerente com a diagnose nutricional realizada, pois o estado nutricional das plantas não foi influenciado pelas formas de aplicação de potássio. Porém, houve diferença significativa (p<0,05) da produtividade obtida com a adubação potássica em relação à testemunha, que apresentou produtividade média de 67 sc/ha. Novamente, o aumento de produtividade obtido com a adubação potássica, independentemente da forma de aplicação de KCl, pode ser explicado pela melhor nutrição mineral das plantas.

Apesar de constatar diferenças de produtividade com a adubação potássica, as médias de produtividade obtidas neste trabalho são inferiores àquelas normalmente obtidas na região, devido ao plantio ter sido realizado fora da época recomendada. Entretanto, mesmo trabalhando com produtividades abaixo da média da região, constatou-se um aumento de produtividade com a adubação potássica e que a forma de aplicação do potássio não influenciou significativamente a produtividade.

Conclusões

A adubação potássica não influenciou as alturas de inserção de espiga e de plantas.

A adubação potássica influenciou o estado nutricional das plantas, independentemente da forma de aplicação utilizada neste trabalho.

A adubação potássica aumentou a produtividade de milho, independentemente do manejo de aplicação de potássio avaliado neste trabalho.

Nas condições em que o experiemento foi conduzido, a aplicação na linha de semeadura de dose elevada de K2O, na forma de cloreto de potássio, não provocou danos à cultura do milho. Os principais fatores que definiram este resultado foram: posição adequada do fertilizante em relação à semente e o volume e regularidade de chuva nos estádios iniciais do desenvolvimento da cultura.

Conforme revisãp realizada no início deste trabalho, as pesquisas indicam que devemos evitar doses elevadas de K2O na linha de semeadura. Quando estas se fizerem necessárias, por questões de custo ou operacional, o conhecimento do desempenho das semeadoras e o histórico de distribuição de chuvas local devem ser considerados na avaliação de risco.

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