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Out/Nov/2006 - Eficiência da adubação fosfatada - nº172
Eficiência da adubação fosfatada
Eng. Agr. Claudiomar Baiack
Quando se fala em eficiência da adubação fosfatada existem
muitas dúvidas, pois há grande dificuldade em até mesmo avaliar a
disponibilidade do P (fósforo) no solo.
A explicação para este fato relaciona-se com a baixa
disponibilidade de P nos solos brasileiros e, também, com a forte
tendência do P aplicado ao solo de reagir com substâncias formando
compostos de baixa solubilidade - Fixação do Fósforo. Portanto, ao
contrário dos demais nutrientes, a adubação com P assume a
particularidade de aplicar uma quantidade várias vezes maior do que
aquela exigida pelas plantas, pois, antes de mais nada, torna-se
necessário satisfazer a exigência do solo, saturando os componentes
responsáveis pela fi xação do P (Furtini Neto et al, 2001).
Os solos podem apresentar de 100 a 2.500 kg/ha de P total, na
camada de 0 a 20 cm. Todavia, qualquer que seja a natureza do solo,
a concentração de P em solução é extremamente baixa, normalmente
entre 0,1 a 1,0 kg/ha, dado a elevada tendência de remoção do P da
solução, tanto por precipitação quanto por adsorção com compostos
de Al, Fe e Ca (Furtini Neto et al, 2001). Em nossos solos a
fixação de fósforo pelo Ca é desprezível devido ao seu caráter
ácido. Após sua dissolução, praticamente todo o P é retido na fase
sólida, formando compostos menos solúveis (Martinhão et al, 2004),
gerando um grande problema na agricultura brasileira, que é a baixa
eficiência da adubação fosfatada.
A calagem é uma prática fundamental para reduzir as perdas pela
fixação do fósforo por Fe e Al, como também reduzir a acidez do
solo, propiciando um ambiente mais favorável ao desenvolvimento das
plantas. Segundo Prochnow et AL (2004), de forma geral, a
disponibilidade de P é maior em solos com pH na faixa de 5,5 a
7,0.
O Sistema de Plantio Direto é uma prática que melhora a
eficiência da adubação fosfatada. Segundo Sá (2004) a manutenção do
Sistema de Plantio Direto por longo período promove não só
alterações na dinâmica das formas solúveis de P, mas também
proporciona a redistribuição de formas orgânicas e microbianas,
tornando-o menos suscetível à absorção, ou seja, diminui a fixação
de P no solo.
Segundo Anghinoni (2004), a eficiência de aproveitamento do
nutriente pelas plantas pode ser definida:
• sob o ponto de vista fisiológico, como a quantidade de
biomassa produzida por unidade de nutriente absorvido;
• sob o ponto de vista agronômico, como o rendimento de biomassa
(matéria seca, grãos, frutos) produzida por unidade de nutriente
aplicado ao solo;
• sob o ponto de vista econômico, como a relação entre a receita
financeira gerada por unidade de nutriente aplicado como adubo.
As culturas comerciais melhoradas geneticamente para o aumento
da produtividade acabam perdendo as características ligadas à
eficiência de absorção dos nutrientes ou não desenvolvem esses
mecanismos de maneira satisfatória. Por isso, a utilização desses
materiais melhorados em solos intemperizados requer a adição de
doses elevadas de adubo fosfatado, muito superiores às quantidades
exportadas pelas colheitas (Anghinoni, 2004).
Eis um grande desafio para a pesquisa e para a indústria,
encontrar alternativas para aumentar a eficiência da adubação
fosfatada.
O que a indústria fez?
Na década de 80, norteados por princípios agronômicos
específicos para as características da maioria dos solos
brasileiros e através de muita pesquisa, a Manah, através do seu
fundador Dr. Fernando Penteado Cardoso, desenvolveu e lançou no
mercado o Multifosfato Magnesiano (MFM). O MFM é uma fonte de
fósforo de liberação gradual, que reduz a fixação de fósforo e
aumenta a efi ciência da adubação fosfatada. Este produto foi
patenteado e tornou-se fonte de P exclusiva para fabricação da
linha de fertilizantes Fosmag®.
A Bunge Fertilizantes, através da marca Manah, é a única empresa
no mundo a produzir e comercializar o Multifosfato Magnesiano
(Fosmag®), produto este devidamente registrado no MAPA como
matéria-prima fosfatada.
Desde o seu lançamento, até os dias de hoje, foram implantados
vários trabalhos, por diferentes instituições de pesquisa no Brasil
e no exterior, comprovando a eficiência do Multifosfato Magnesiano.
A seguir serão apresentados alguns desses resultados:

O trabalho realizado pelo International Fertilizer Development
Center (IFDC) em 1989 comparou a eficiência agronômica do fósforo
do MFM ao do Superfosfato Simples (SSP) na cultura do milho. Na
figura 1 pode-se observar que a Efi ciência Agronômica Relativa
(EAR)1 do MFM foi superior ao SSP, nos 3 níveis de CFP (Capacidade
de Fixação de Fósforo)2 , tanto na quantidade de matéria seca,
quanto na quantidade de fósforo absorvido.
O 1º corte do milho foi aos 40 dias após a sua semeadura.
O segundo corte aos 40 dias após a segunda semeadura, que se fez
no mesmo vaso que recebeu a aplicação das fontes, após a retirada
do primeiro milho semeado.
Portanto o segundo corte ocorreu aos 80 dias da aplicação das
fontes, com objetivo de testar o efeito residual das mesmas. Os
dados mostram que na avaliação do primeiro corte, quanto maior a
CFP maior foi a vantagem do MFM sobre o SSP. No segundo corte
verificou-se que quanto mais tempo as fontes ficaram expostas aos
compostos fixadores de fósforo no solo, a EAR do MFM sobre o SSP
aumentou ainda mais.

Costa et al (2001), avaliaram diversas fontes de P na prática da
fosfatagem na cultura da soja durante 5 anos (COAMO/ COODETEC),
dentre elas, o Multifosfato Magnesiano (Fosmag®). Todos os
tratamentos (Tabela 01) receberam em julho de 1995 calcário na dose
de 6,62 t ha-1 e 150 kg ha-1 de P2O5 da respectiva fonte testada,
exceto no tratamento com superfosfato simples parcelado, cuja dose
foi dividida em 30 kg ha-1 anualmente. As adubações da soja nas 5
safras que se seguiram foram iguais em todos os tratamentos, ou
seja, a diferença foi somente a fonte de P na fosfatagem. Verifi
cou-se em todos os anos que o tratamento com Multifosfato
Magnesiano (Fosmag®) apresentou maior produtividade, quando
comparado com as demais fontes, conforme Tabela 1. Staut et al
(2001), conduziram na Fundação Chapadão, em Chapadão do Sul-MS,
dois trabalhos num solo Latossolo Vermelho Escuro, textura
argilosa, cultivado há 5 anos em Sistema de Plantio Direto. O
objetivo foi avaliar o efeito de fontes e modos de aplicação de P
no rendimento de grãos de soja e milho em um solo com baixa
disponibilidade deste nutriente (4,8 mg dm-3, determinado pelo
extrator Mehlich-1).

A adubação utilizada na soja foi de 80 kg ha-1 de K2O, e 80 kg
ha-1 de P2O5. Para o milho as doses foram 100 kg ha-1 de N, 80 kg
ha-1 K2O e 80 kg ha-1 P2O5. As fontes comparadas foram o
Multifosfato Magnesiano (Fosmag®) e o Termofosfato, aplicados a
lanço e no sulco de semeadura, conforme a fi gura 2.
Observa-se que o Multifosfato Magnesiano (Fosmag®) no sulco
apresentou maior produtividade do que o Termofosfato, tanto no
sulco de semeadura quanto a lanço.
Outro trabalho conduzido por L. I. Prochnow, B. VAN RAIJ &
J. C. KIEHL (2002) visou comparar a eficiência agronômica das
frações de fósforo com diferentes solubilidades (CNA + água e
somente CNA), dos principais fertilizantes fosfatados comerciais
utilizados no Brasil, durante três cultivos consecutivos em vaso,
na cultura do milho. Variou-se também as formas de aplicação das
fontes, sendo uma totalmente misturada ao solo e outra localizada
no centro do vaso (linha). Uma das conclusões do trabalho é que a
fração do fósforo insolúvel em água, porém solúvel em CNA do
Multifosfato Magnesiano, quando aplicado de forma localizada,
apresentou superioridade em relação as demais fontes, tanto na
produção de matéria seca como na quantidade de fósforo absorvido
pelas plantas de milho.
Lana, et al 2004 avaliaram a resposta da cultura da alface, em
solo de cerrado, a diferentes fontes de fertilizantes fosfatados
solúveis e reativos de lenta solubilidade, na presença de calagem,
visando aumento da produtividade.
Os resultados deste trabalho estão presentes nas tabela 02 e 03.
Segundo Lana os efeitos positivos do Fosmag® sobre a produtividade
da alface provavelmente, devem-se ao fato de o fósforo neste
composto estar sob uma forma disponível, solúvel em CNA + água,
porém com liberação gradual, dando características específicas ao
fertilizante, diminuindo a fixação do fósforo. O fósforo
encontra-se ligado ao magnésio no mesmo grânulo, favorecendo sua
absorção pelas plantas, devido ao efeito sinérgico da interação
fósforo x magnésio.

Claudiomar Baiack é Assessor Agronômico da marca Manah
nos estados do PR e MS. Engenheiro Agrônomo pela universidade
estadual de Ponta Grossa (UEPG) e especialista em Fertilidade do
Solo e Nutrição de Plantas pela Universidade Federal de Lavras
(UFLA).
Bibliografia:
FURTINI NETO, A. E.; VALE, F. R.; RESENDE, A. V.; GUILHERME, L.
R. G.; GUEDES, G. A. A. Fertilidade do
Solo.Lavras: UFLA, 2001. 252p.
LANA, R. M. Q.; ZANÃO JUNIOR, L. A.; LUIZ, J. M. Q.; SILVA, J. C.
Produção de alface em função do uso de diferentes fontes de fósforo
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MARTINHÃO, D.; SOUSA, G.; LOBATO, E. Adubação Fosfatada em Solos
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Potafós, 2004. p.157-200.
PROCHNOW, L. I.; ALCARDE, J. C.; CHIEN, S. H. Efi ciência
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SÁ, J. C. M. Adubação Fosfatada no Sistema Plantio Direto. In:
Yamada, T.; Abdalla, S. R. S. (Ed.). Fósforo na Agricultura
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ANGHINONI, I. Fatores que Interferem na Efi ciência da Adubação
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na Agricultura Brasileira. Piracicaba: Potafós, 2004.
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International Fertilizer Development Center (IFDC).
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Fosmag. Final report. IFDC. Muscle Shoals - Alabama. 1989.
(Relatório interno não publicado).
COSTA, J. M.; OLIVEIRA, E. F. Fertilidade do Solo e
Nutrição de Plantas. Campo Mourão: COAMO/COODETEC, 2001.
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STAUT, L. A.; KURIHARA, C. H. Fontes e formas de Aplicação de
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STAUT, L. A.; KURIHARA, C. H. Resposta do milho às formas de
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Revista Plantio Direto. Dourados: Embrapa
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PROCHNOW, L. I.; RAIJ, B. V.; KIEHL, J. C. Effect of Water and
Citrate Solubility on Agronomic Effectiveness of Acidulated
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