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Mar/Abr/2008 - Influência das Propriedades Físicas do Solo Sobre a Nutrição de Plantas. - nº177
Influência das propriedades físicas do solo sobre a nutrição de
plantas
Eng.° Agr.° D. Sc. Marcelo Alessandro
Araujo
Os solos podem apresentar teores de nutrientes considerados
adequados, mas devido à sua condição física, a eficiência da
utilização destes nutrientes pelas plantas pode ser severamente
afetada, traduzindo-se em redução na produtividade. Sobretudo,
estes efeitos são mais pronunciados sob condições climáticas
adversas, como em anos em que ocorre déficit hídrico (seca).
Por esta razão, é comum se verificar maior produtividade em áreas
submetidas à semeadura direta e que apresentam uma grande
quantidade de palha na superfície, quando comparada a áreas que
receberam a mesma adubação, mas que estão menos estruturadas
fisicamente e apresentam menor quantidade de palha em cobertura.
Além do efeito físico da palha sobre redução de evaporação da água
do solo, ainda há a ação da matéria orgânica beneficiando a melhor
estruturação do solo (principalmente poros), que por sua vez atua
na melhoria da capacidade de retenção de água pelo solo. Portanto,é
a ação de propriedades físicas do solo interferindo diretamente na
absorção de água e conseqüentemente nutrientes, pelas raízes das
plantas. Assim, conclui-se que mesmo não recebendo a devida
importância, os efeitos das condições físicas e estruturais do solo
possuem sim, relação direta com os processos físico-químicos
ligados a absorção dos nutrientes pelas plantas. De tal maneira
que, na moderna e sustentável agricultura quando se fala em
qualidade química ou em qualidade física do solo não se pode
trabalhar isoladamente um ou outro fator, pois ambos fazem parte do
todo, a chamada "fertilidade integral do solo" (Denardin et al.,
2005).
Conceito de fertilidade integral do solo.
Dentre as vantagens da semeadura direta, o aporte de carbono
orgânico ao sistema é sem dúvida uma de suas principais virtudes.
Segundo Denardin et al. (2005), quando se altera o ciclo do carbono
no solo (seja por aporte ou redução de material orgânico - que no
caso da agricultura basicamente se resume à palha), irão ocorrer
modificações na relação partícula-poro e, para a agricultura, é
essa relação que nos interessa, porque tudo ocorre no poro ou na
interface das partículas. Assim, automaticamente irão ocorrer
interferências no que o autor define como Fertilidade Integral do
Solo. Neste novo conceito, fertilidade do solo é representada pela
união de parâmetros físicos, químicos e biológicos do solo,
conforme pode ser visto no esquema da figura 01.

Segundo Kopi & Douglas (1991), a estrutura ideal do solo é
aquela que possibilita uma grande área de contato raiz-solo, além
de suficiente espaço poroso para o movimento de água e gases e
pouca resistência do solo à penetração das raízes. Neste sentido, o
impacto da estrutura sobre a produção agrícola está relacionado com
seus efeitos sobre o ambiente físico do solo para o crescimento
radicular, modificando a eficiência do uso da água e nutrientes
pelas plantas.
Sob o enfoque de sistema agrícola produtivo, a estrutura do solo
amplia o conceito de fertilidade do mesmo, não o limitando
exclusivamente a aspectos químicos, genericamente considerados como
reação do solo (pH), teor de nutrientes e nível de matéria
orgânica. Neste contexto, a estrutura do solo rege os parâmetros
determinantes da capacidade de armazenamento e de
disponibilidade de água, da capacidade de armazenamento e difusão
de calor, da porosidade do solo, da resistência do solo à
penetração das raízes, do nível de acidez e da disponibilidade de
nutrientes.
A magnitude do fluxo de material orgânico aportado pelo sistema
agrícola, bem como a qualidade da fonte de carbono adicionado,
determinam a intensidade da atividade biológica no solo. A
quantidade e a qualidade de compostos orgânicos secundários
derivados influem nas propriedades do solo relacionadas ao ciclo do
carbono, tais como: nível de matéria orgânica, agregação,
porosidade, aeração, infiltração de água, retenção de água,
capacidade de troca de cátions, balanço de nitrogênio, etc. Em
síntese, o modelo de produção agrícola associado ao modo de manejo
dos resíduos culturais é que, em essência, melhora ou degrada a
estrutura do solo e, em conseqüência, a fertilidade integral do
solo (Denardin et al., 2007).
Apesar das vantagens de analisar o comportamento do solo em termos
de fertilidade integral, ainda são escassas as pesquisas que
consideram o sistema agrícola como um todo (química, física e
biologia do solo). Porém, se quisermos entender de maneira mais
profunda o funcionamento dos parâmetros do solo que regem o sistema
produtivo, sobretudo em semeadura direta, não há como não utilizar
o conceito de fertilidade integral.
Interação entre atributos físicos do solo e absorção de
nutrientes pelas plantas.
Na atividade agrícola é muito comum observar que o produtor rural,
visando garantir a produtividade da lavoura, investe uma quantia
considerável no item adubação. Porém, muitas vezes, ele se esquece
de verificar um outro item também muito importante, a "qualidade
física do solo". Uma vez esquecendo-se deste item, e caso sua
propriedade apresente problemas de compactação do solo, as raízes
terão seu desenvolvimento comprometido e, consequentemente, a
absorção de água e nutrientes pela planta também estará
comprometida, havendo grande chance do investimento em fertilizante
não resultar no retorno esperado. Isto ocorre porque geralmente o
produtor não enxerga o solo de maneira mais ampla e com isso acaba
deixando de considerar diversos fatores que, juntamente com a
fertilidade, influenciam diretamente a produtividade das
culturas.
As raízes ocupam apenas uma pequena fração do volume total do
solo, sendo a velocidade com que os nutrientes alcançam a
superfície radicular muito importante para sua absorção. Existem
três maneiras pelas quais os nutrientes podem entrar em contato com
as raízes das plantas: 1) movimentando-se juntamente com a água do
solo (solução) - fluxo de massa, 2) movendo-se
independentemente do movimento da solução do solo -
difusão e, 3) através do crescimento das raízes
até atingir o nutriente - interceptação radicular.
Portanto, apesar da influência da compactação nos mecanismos
envolvidos na absorção de nutrientes pelas raízes ainda não ser
muito clara, é consenso entre os pesquisadores que mudanças
deletérias na qualidade física do solo podem interferir
negativamente nestes processos (Camargo & Alleoni, 2006).
Dentre os parâmetros físicos, a densidade (Ds) é o principal
indicador da compactação. Solos mais compactados possuem maiores
valores de Ds. Essa característica afeta diretamente o crescimento
radicular e pode, em casos mais extremos, restringí-lo. Tardieu
(1988), constatou que o comprimento de raízes de milho foi cerca de
vinte vezes menor na entrelinha compactada do que na linha e na
entrelinha não compactada em um solo franco-argiloso. No mesmo
sentido, Rosolem et al. (1999), observaram que o aumento da
densidade (compactação) promoveu a redução no número e no
comprimento de raízes de milho cultivado em solos com diferentes
teores de argila. Outros autores, também constataram que o aumento
da densidade do solo provocou redução no desenvolvimento das raízes
e da parte aérea da mamona (Vale et al., 2004). Estas modificações
no comprimento e no número de raízes de milho e mamona, e na parte
aérea dessa última, observadas por estes autores, são indicativos
de redução na capacidade de absorção de água e nutrientes, de forma
que, quanto menor o comprimento e número de raízes menor será a
área de solo a ser explorada.
Segundo Staut (2006), a compactação também é responsável pelo
baixo aproveitamento dos fertilizantes pelas plantas. Trabalhos
realizados para avaliar a absorção de nutrientes pelas raízes em
diferentes níveis de compactação evidenciaram que, à medida que a
densidade aumentou de 1,03 Mg m-3 (ausência de compactação) para
1,72 Mg m-3 (extremamente compactado), a absorção de nitrogênio,
fósforo, potássio, cálcio e magnésio diminuiu em torno de 45%.
Nesta mesma linha, Pedrotti et al. (1994), estudaram os efeitos de
três níveis de compactação, representados pelos valores de
densidade do solo (Ds1 = 1,30; Ds2 = 1,60 e Ds3 = 1,90 Mg.dm-3)
sobre a absorção de nutrientes pelas culturas de arroz irrigado,
arroz de sequeiro, milho e soja, num Planossolo do Rio Grande do
Sul (Tabela 1).

Os resultados obtidos por estes autores mostraram que, em todas as
culturas estudadas, à medida que ocorreu aumento na densidade do
solo (aumento na compactação), os teores foliares dos nutrientes
foram reduzidos, indicando claramente o efeito de propriedades
físicas do solo sobre a nutrição das plantas. Outros pesquisadores
também constataram que a compactação do solo diminuiu a nutrição da
soja (Silva & Rosolem, 2001), promovendo o aparecimento de
sintomas de deficiência de nitrogênio e potássio (Borges et al.,
1988). Portanto, estes resultados são mais um indício de que a
avaliação física do solo sempre deve ser considerada, pois caso
contrário, corre-se o risco de administrar a dose adequada de
fertilizantes e mesmo assim não alcançar o resultado
esperado.
A marca Manah e sua equipe de Engenheiros Agrônomos, têm a
percepção que uma agricultura moderna e sustentável deve considerar
todos os aspectos envolvidos na produção. Como destaque,
vimos neste artigo que a compactação do solo pode levar à
sub-utilização dos fertilizantes aplicados, diminuindo a absorção
de macronutrientes em até 45%, interferindo de maneira negativa na
nutrição da cultura, o que nos leva a chamar a atenção que o
agricultor além de considerar aspectos ligados à fertilidade, não
deve deixar de lado aqueles ligados às condições físicas e
biológicas do solo, pois é o conjunto destes aspectos que irão
determinar a produtividade.
Marcelo Alessandro Araujo, assessor agronômico da marca Manah
nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. Engenheiro Agrônomo
pela Universidade Estadual de Maringá, Mestre em Produção Vegetal
pela Universidade Estadual de Maringá em 2001 e Doutor em Solos e
Nutrição de Plantas pela Universidade Estadual de Maringá em
2005.
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