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Mai/Ago/2010 - Adubação Potássica para a Cultura da Soja - n° 181
ADUBAÇÃO POTÁSSICA PARA A CULTURA DA SOJA
O potássio (K) é um nutriente essencial em quase todos os
processos necessários para sustentar a vida da planta,
desempenhando funções vitais como abertura e fechamento dos
estômatos (entrada e saída de água da planta), transporte de
carboidratos e outros produtos, e sínteses (MALAVOLTA et al.,
1989), bem como ativa muitas enzimas envolvidas na respiração e na
fotossíntese (TAIZ, 2004). No entanto, o K não faz parte de nenhum
composto orgânico, portanto, não desempenha função estrutural na
planta (FAQUIN, 2005). Isto faz com que o potássio, seja facilmente
deslocado para o sistema. Plantas deficientes em K, além de possuir
qualidade inferior, não podem usar água e outros nutrientes de
solos ou fertilizantes eficientemente, são menos tolerantes a
estresses ambientais, tais como secas, excesso de água, vento e
temperaturas altas e baixas, e menos resistentes ao ataques de
pragas e doenças (POTAFOS, 1990).
Embora o K seja, de maneira geral, o segundo nutriente mais
exigido pelas culturas, o mesmo não se encontra nos solos em teores
tão limitantes quanto, por exemplo, o fósforo (FAQUIN, 2005); no
entanto, apresenta-se insuficiente para suprir as quantidades
extraídas pelas culturas. Portanto, a reposição do potássio,
visando à produtividade econômica das culturas, deve ser feita pela
adubação (VILELA et al., 2007). O nutriente apresenta-se na forma
catiônica (K+) e seus sais apresentam alta solubilidade, o que
associado à baixa Capacidade de Troca Catiônica (CTC), favorece a
ocorrência de perdas por lixiviação. A contribuição de todos esses
fatores faz com que o manejo da adubação potássica (fonte, doses,
métodos e época de aplicação), seja de grande importância para a
manutenção e melhoria
Fontes
O cloreto de potássio e os adubos formulados (NPK) são as fontes
mais comuns. Ainda que seja mais caro que o cloreto, o sulfato de
potássio também é eficiente no fornecimento de potássio, com a
vantagem de fornecer enxofre. As principais fontes de potássio são
apresentadas na tabela, a seguir:

Como visto na tabela, o cloreto de potássio possui um índice
salino dos mais elevados. Desta forma, alguns cuidados devem ser
tomados na utilização deste fertilizante, entre eles, não aplicar
doses superiores a 50 kg/ha de K2O no sulco de plantio de uma só
vez, para reduzir os riscos de efeito salino sobre a germinação das
sementes, principalmente em condições de estresse hídrico (OLIVEIRA
et al., 2008).
Doses
A maioria dos solos, no início da exploração agrícola, tinha
alta disponibilidade de potássio, na faixa de 0,51 a 0,77
cmolc/dm-3 (de 200 a 300 mg/dm-3), mas as produtividades máximas
não eram elevadas (BORKERT et al., 2005), o que poderia ser
explicado por um desequilíbrio nutricional e/ou pelo baixo
potencial genético das cultivares da época. No entanto, trabalhos
mais recentes também não vêm apresentando ganhos expressivos em
produtividades com elevadas doses deste nutriente.
Segundo Borkert et al., (2005), a resposta da soja à adubação
potássica está relacionada à capacidade de exploração do K do solo
e às quantidades exportadas pelos grãos. Assim, mesmo em solos
muito pobres neste nutriente, como os da região sul do Maranhão, o
rendimento máximo foi observado com aplicações de K em quantidades
equivalentes às das regiões tradicionais.
Porém, no sul do Piauí, onde a disponibilidade inicial de
potássio é baixíssima, há necessidade de aplicar maior quantidade
de adubo. Abaixo consolidamos os resultados obtidos pelas pesquisas
em algumas regiões do Brasil, para os valores críticos de potássio
no solo, ponto acima do qual a probabilidade (chances) de respostas
é muito baixa ou ausente.

Através dos dados acima podemos observar que muitos dos solos
cultivados possuem teores de potássio no solo muito próximos ao
nível crítico e/ou bem acima dele, e nestes casos, os cuidados
recaem sobre as quantidades exportadas pela colheita de soja, que
segundo Zancanaro et al. (2009), é o equivalente a 20 kg/ha de K2O
para cada 1.000 kg/ha de soja a se produzir, que pode ser menor por
uma safra em função de condições desfavoráveis de preços. Por outro
lado, devem ser consideradas as perdas por lixiviação e por erosão;
assim, sempre que possível, deve ser acrescentado um pouco mais de
K do que a exportação estimada, para compensar as perdas do sistema
e, assim evitar o risco do nutriente limitar a produtividade
(BORKERT et al., 2005). A figura a seguir é uma representação da
exigência nutricional e o potencial de exportação de soja, que são
características determinadas por fatores genéticos, influenciados
pelo clima, pela fertilidade do solo e pelo manejo cultural. Estas
informações são fundamentais para a indicação de adubação da
cultura, pois quantificam as necessidades nutricionais mínimas que
devem ser complementadas ao solo antes de cada cultivo para
manutenção da fertilidade e para garantir o potencial produtivo da
cultura (OLIVEIRA et al., 2008).

Além da dose e extração/exportação de K pela soja, devemos
observar também o equilíbrio nutricional entre cálcio, magnésio e
potássio (Ca:Mg:K), pois a disponibilidade de K no solo e a sua
absorção pelas plantas parecem estar relacionadas com a
disponibilidade de Ca e Mg no solo (OLIVEIRA et al., 2001). Neste
mesmo sentido, Castro e Meneghelli (1989), avaliando a relação K,
Ca e Mg no solo em resposta à adubação potássica, concluíram que os
teores de K isolados no solo não dão uma informação correta das
necessidades de adubação potássica. Este, em conjunto com a relação
entre bases, é a forma mais eficaz de avaliar a necessidade,
viabilidade e resposta à adubação potássica, que pode ser
verificada através da equação a seguir:

Abaixo, seguem dois exemplos de aplicação dessa fórmula, entre
os quais, para o exemplo (A) espera-se baixa resposta à aplicação
de K; e no exemplo (B), que é o mesmo solo após a calagem,
espera-se alta resposta. Isto porque a calagem promove o aumento
das concentrações de Ca e Mg do solo, relativamente a do K, podendo
reduzir a absorção de K pelas raízes e provocar sua deficiência
(GOEDERT et al., 1975, citado por OLIVEIRA et al., 2001).

Tão importante quanto a dose são os métodos para se
utilizar os fertilizantes potássicos, os quais veremos a
seguir:
Métodos de Aplicação de Potássio: a lanço ou no
sulco?
A aplicação de potássio a lanço é tão eficiente quanto à
aplicação no sulco de semeadura, como pode ser visto nos trabalhos
de longa duração conduzidos em solos muito argilosos (>60% de
argila), com disponibilidade de K entre 0,20 a 0,30 cmolc/ dm-3 no
Paraná, em que não foram observadas diferenças no rendimento de
grãos para a forma de aplicação de doses de K a lanço na superfície
ou no sulco de semeadura (BORKERT et al., 1997, citado por BORKERT
et al., 2005). No entanto, alguns cuidados devem ser tomados para
ambos os métodos:
Aplicação no sulco de semeadura:
Como já visto anteriormente, recomenda-se não exceder em 50 kg
de K2O/ha no sulco de semeadura, sob riscos de danos à germinação,
diminuição do estande e redução de produtividade (que pode ser
agravado por condições de estresse hídrico), podendo levar também a
maiores perdas de potássio por lixiviação. Quando doses maiores
forem necessárias e/ou o solo for de textura média à arenosa (<
20% de argila) e/ou baixa CTC, recomenda-se então o parcelamento do
potássio, sendo 1/3 da quantidade total indicada na semeadura e 2/3
em cobertura, 30 a 40 dias após a germinação, respectivamente, para
cultivares de clico mais precoce e mais tardio (OLIVEIRA et al.
2008; VILELA et al., 2004; 2008; ZANCANARO et al., 2009). O
parcelamento também é recomendado caso o solo apresente CTC a pH
7,0 menor do que 4,0 cmolc/dm-3 (VILELA et al., 2004). Em solos com
baixa CTC, onde as perdas de potássio por lixiviação podem ser
acentuadas, o emprego de adubos potássicos deve ser
preferencialmente a lanço.
Aplicação a lanço:
A adubação com potássio pode ser realizada totalmente a lanço
antes da semeadura (preferencialmente em solo de textura argilosa
com teores médios ou bons de K). No entanto, em solos arenosos não
se deve fazer este tipo de adubação, a fim de evitar perdas de K
por lixiviação e baixo aproveitamento pela cultura de soja. Nestes
tipos de solo recomenda-se parcelar a dose total de potássio (1/3
base + 2/3 cobertura), conforme descrito anteriormente. Mantendo
assim, o desenvolvimento normal da cultura de soja quando há
excesso de chuvas no início do ciclo (BORKERT et al., 2005).
Na tabela a seguir, podemos observar que não houve diferenças
entre os métodos de adubação (no sulco, a lanço ou parcelado) para
soja cultivada em solo argiloso; no entanto, para o solo arenoso,
houve um acréscimo em 14% no rendimento da soja (6 sacos de 60 kg a
mais) em virtude do parcelamento da dose de 60 kg/ha de K2O, em
relação a sua aplicação no sulco de plantio.

Para solos com baixo teor de K, deve-se dar preferência para
aplicação no sulco de semeadura ou parcelamento da dose. Rosolem et
al. (1984) observa que em anos com ocorrência de períodos de seca,
entre a emergência e a floração e em solos com disponibilidade
muito baixa de potássio (< 0,08 cmolc/dm-3), pode haver redução
do rendimento de grãos quando a aplicação é feita a lanço nas doses
de até 80 kg/ha de K2O.
Outro ponto muito importante a se considerar é a uniformidade de
aplicação de fertilizantes a lanço. Na fotografia abaixo, é
mostrada a consequência da desuniformidade dentro da faixa de
aplicação de cloreto de potássio em cobertura na soja. Neste campo,
de textura arenosa, havia sido aplicado 30 kg/ha de K2O na linha de
semeadura.

Para garantir uma boa uniformidade na aplicação, é
necessário levar em conta: • O tipo de equipamento
utilizado, bem como o sistema de dosagem e de distribuição do
fertilizante utilizado;
• A velocidade do maquinário na hora da aplicação;
• A largura útil de trabalho;
• A regulagem correta do equipamento aplicador;
• O tipo de fertilizante a ser aplicado;
• A qualidade física do fertilizante.
Época de aplicação
A maior demanda de potássio pela cultura de soja é durante o
período de maior crescimento vegetativo até pouco antes da floração
(YAMADA et al., citado por BORKERT et al., 2005), como pode-se
observar no gráfico abaixo, dos 30 aos 60 dias ocorre a maior
demanda de K (57% de todo potássio que a soja irá precisar para
completar o ciclo é absorvido até os 60 dias, após o plantio).
Marcha de absorção de potássio pela cultura de
soja

Desta forma, independente do método de aplicação dos
fertilizantes potássicos (pré-plantio, plantio, cobertura,
parcelado ou não), este nutriente precisa estar disponível para
soja durante o período de maior demanda (antes da floração). Logo,
quando a aplicação se der em cobertura, realizá-la aos 30 ou 40
dias após a germinação, respectivamente, para cultivares de clico
mais precoce e mais tardio (ZANCANARO et al., 2009), para que haja
um bom aproveitamento deste nutriente.
Considerações Finais
O potássio é um dos nutrientes mais fáceis de se manejar no
sistema agrícola, e para se ter uma boa eficiência na utilização
dos fertilizantes potássicos, devemos começar com uma eficiente
amostragem de solo para análise química e pelo levantamento do
histórico da área a ser adubada. As quantidades de potássio a ser
utilizado para o bom desenvolvimento e produtividade da cultura de
soja, devem respeitar as exigências nutricionais da cultura, o tipo
de solo e sua fertilidade, aplicando apenas o necessário, buscando
o equilíbrio nutricional e evitando desperdícios.
Autor desta edição:
Luciano Marques de Godoy é assessor agronômico da Bunge
Fertilizantes nas regiões norte e oeste do Mato Grosso. Engenheiro
Agrônomo formado pela Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT,
com Pós-Graduação em Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas pela
Universidade Federal de Lavras - UFLA/MG.
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