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Jun/Jul/2007 - Importância do Enxofre para a Cultura da Soja. - nº174
Importância do Enxofre para a cultura da soja.
M. Sc. Eng.° Agr.° Harley Bernardes Sales
O enxofre, o cálcio e o magnésio são conhecidos como
macronutrientes secundários. Embora, do ponto de vista da nutrição
vegetal, nenhum nutriente possa ser considerado secundário,
quantitativamente é assim que estes nutrientes são tratados. A
falta destes elementos no solo pode levar a situações de
deficiência, que precisam e podem ser evitadas. A mais grave entre
os macronutrientes secundários é a do enxofre (Van Raij, 1991),
principalmente porque cálcio e magnésio geralmente são adicionados
ao solo em quantidades adequadas através da calagem. Na tabela 01
são apresentados os aumentos percentuais da produção de várias
culturas em resposta ao enxofre.

Dentre os nutrientes, o enxofre se aproxima funcionalmente do
nitrogênio. Embora a quantidade de enxofre nas plantas seja 3% a 5%
da quantidade encontrada de nitrogênio, estes nutrientes
compartilham uma grande versatilidade em reações de
oxidação-redução, um atributo que os torna fundamentais em ciclos
biogeoquímicos e no metabolismo de plantas. Além disto, o enxofre é
constituinte de dois aminoácidos e de várias coenzimas. O
nitrogênio é encontrado em vários compostos orgânicos, incluindo
todos os aminoácidos e ácidos nucléicos. As assimilações de
nitrogênio e enxofre são bem coordenadas, ou seja, a deficiência de
um elemento reprime a via assimilativa do outro (Epstein &
Bloom, 2006).
A fonte principal do enxofre são as rochas ígneas, nas quais o
elemento ocorre, geralmente, em pequenas proporções na forma de
sulfato (SO4-2). No solo, a maior parte do enxofre encontra-se na
forma orgânica, permanecendo combinado com carbono e nitrogênio
como nas plantas, nas quais participa das proteínas. A
mineralização de SO4-2 da matéria orgânica é bastante afetada pela
relação C:N:S. Assim pode haver imobilização de enxofre mineral se
as relações C:S ou N:S forem muito altas. Se as relações forem
baixas, ocorrerá liberação de enxofre mineral (Van Raij,
1991).
Atualmente, o S está se tornando um nutriente limitante na
produção das culturas, muito mais do que no passado. As razões para
esse aumento na necessidade incluem:
• maior produtividade das culturas, que requerem mais S;
• aumento no uso de adubos concentrados que contém pouco ou nenhum
S;
• redução nas quantidades de S atmosférico provindas da
chuva;
• redução das reservas de S do solo com as perdas de matéria
orgânica devido à mineralização e à erosão.
Ao contrário do que acontece com os cátions Ca+2 e Mg+2, que ficam
mais retidos na camada arável do solo, o SO4-2 enfrenta três
fatores que dificultam a sua permanência na camada superficial do
solo, são eles:
• Presença de teores maiores de matéria orgânica, que reduzem a
adsorção por óxidos e aumentam a carga negativa do solo, portanto
repelindo sulfatos.
• A calagem aumenta o número de cargas negativas do complexo de
troca do solo, o que resultou em maior repulsão dos íons sulfato e
seu deslocamento no perfil.
• Os fosfatos aplicados em adubações ocupam preferencialmente as
posições de troca que seriam ocupados por sulfatos.
De modo contrário, os menores teores de matéria orgânica a 20-40
cm de profundidade, aliados aos teores de óxidos de ferro
encontrados nos latossolos, podem resultar em predomínio de cargas
positivas e favorecerem a retenção do ânion sulfato (Nogueira &
Melo, 2003).
Dentre as espécies cultivadas, a soja é a maior exportadora de S
da agricultura brasileira (Yamada & Lopes, 1998). Estima-se que
a cultura da soja na safra 2006/2007 exportou 184.000 t de S. A
importância do enxofre para cultura da soja esta ligada à formação
de aminoácidos, que por sua vez são necessários para a formação de
todas as proteínas. A soja é considerada uma fonte de proteína
completa, isto é, contém quantidades significativas de todos os
aminoácidos essenciais que devem ser providos ao corpo humano
através de fontes externas, por causa de sua inabilidade para
sintetizá-los.
Com o objetivo de verificar a resposta da soja à aplicação de
enxofre, a Embrapa Soja realizou experimentos em vários locais com
diferentes doses de enxofre aplicados na cultura da soja. Os
resultados podem ser observados na figura 01. As médias de
produtividade seguidas por letras diferentes revelam que houve
diferença estatística em função da quantidade de enxofre aplicado.
Foram observadas repostas positivas na produtividade com acréscimos
de até 500 kg/ha.

A seguir será apresentada a recomendação oficial da Embrapa
(Catellan et al, 2007) para adubação com enxofre na cultura da
soja.
Adubação com enxofre
Para determinar corretamente a necessidade de enxofre
(S), deve-se fazer a análise de solo em duas profundidades, 0 a 20
cm e 20 a 40 cm, devido à mobilidade do nutriente no solo e o seu
acúmulo em subsuperfície.
A tabela 02 apresenta as quantidades recomendadas, de acordo com a
classe de teores. No solo, os níveis críticos são 10 mg dm-3 e 35
mg dm-3 para solos argilosos (> 40% de argila) e 3 mg dm-3 e 9
mg dm-3 para solos arenosos (≤ 40% de argila), respectivamente nas
profundidades 0 a 20 cm e 20 a 40 cm (Sfredo et al., 2003)
Considerando a absorção e a exportação do nutriente, a adubação de
manutenção corresponde a 10 kg de S para cada 1.000 kg de produção
de grãos esperada. A análise de folhas deve ser realizada caso haja
dúvidas com a análise de solo. A faixa de suficiência de S nas
folhas varia de 2,1 a 4,0 g kg-1 (Tabela 03).

Os sintomas de deficiência de enxofre são muito similares aos da
deficiência de nitrogênio (figura 02). Ocorre uma clorose geral das
folhas, incluindo as nervuras, que de verde-pálido passam a
amarelo.
Os sintomas iniciam-se nas folhas novas, enquanto na deficiência
de N os sintomas iniciam-se nas folhas velhas. Em um estádio mais
avançado do sintoma, as folhas velhas tornam-se amarelas e depois
necrosadas. As plantas deficientes são pequenas e de caule fino
(Borkert et al, 1994). Em situações de deficiência menos severa, os
sintomas visuais não são aparentes, mas tanto a produção quanto a
qualidade serão afetadas.

A decisão para a melhor estratégia de fertilização com S
dependerá, entre outros fatores: da reserva de S-SO4-2 no solo;
expectativa de produtividade da cultura; época de aplicação; da
preferência do comprador; do custo x benefício da fonte de S; dos
equipamentos de aplicação e da disponibilidade de fontes que contém
o nutriente. Outro fator importante é o efeito da fonte de enxofre
sobre o S presente na matéria orgânica do solo. Em algumas
situações, a decomposição de substâncias que possuem enxofre na
matéria orgânica pode ser comprometida pela adição de enxofre
mineral. Isto pode ocorrer devido à inibição da atividade de
enzimas ligadas ao ciclo do S, caso da arilsulfatase. Essa enzima
pode sofrer inibição pelo íon sulfato e afetar a decomposição do
S-orgânico (Nogueira & Melo, 2003).
A marca Manah, possui em seu portfólio excelentes linhas de
fertilizantes que fornecem quantidades equilibradas de enxofre para
as plantas, são elas:
Fosmag - fertilizante fosfatado diferenciado, produzido com fonte
de fósforo exclusiva (multifosfato magnesiano) com solubilidade
total e gradual;
Nitrogran - fertilizante nitrogenado diferenciado, possui
micronutrientes com excelente solubilidade incorporados aos
macronutrientes.
Essas formulações permitem o adequado fornecimento do nutriente
para as plantas e, consequentemente, altas produtividades.
Bibliografia:
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doutor da sua soja. Informações agronômicas N. 66. Piracicaba:
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CATELLAN, A. J. et al. Tecnologias de produção de soja - Região
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CD-ROM.
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