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Divulgações Técnicas

Jan/Fev/2007 - Contribuição da Nutrição de Plantas e Adubação na Diminuição de Riscos na Cultura do Milho Safrinha - nº173
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Contribuição da nutrição de plantas e adubação na diminuição de riscos na cultura do milho safrinha

Eng. Agr. Flávio G. Bonini

A cultura do milho, de acordo com as estimativas oficiais, tem ocupado o 2º lugar em volume produzido de grãos, contribuindo com aproximadamente 42 milhões t/ano para a safra brasileira. Deste volume total, cerca de 25% (nove milhões t) são produzidas como uma segunda safra, ou seja, fora da época tradicional de semeadura de milho. Atribuiu-se a denominação "safrinha" a esta época de semeadura porque, originalmente, as produtividades alcançadas ficavam bem aquém daquelas obtidas com o milho verão.

Atualmente as produtividades médias brasileiras de milho verão e safrinha são de, respectivamente, 3.450 kg/ha e 3.034 kg/ha, denotando certa estagnação do milho safra de verão e um grande avanço em tecnologia direcionado à produção de milho safrinha (Figura 1).


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A evolução das áreas plantadas e produtividades do milho safrinha só foram possíveis com a adequação de técnicas, manejos e produtos que amenizassem os riscos da cultura, principalmente relacionados ao clima (água, temperatura e luminosidade) e a fertilidade do solo.

Devem ser tomados alguns cuidados no planejamento da lavoura de milho safrinha para minimizar os riscos inerentes a este tipo de cultura:

Híbrido - Deve-se dar grande atenção à escolha dos materiais a serem plantados, dando preferência a híbridos com maior rusticidade e tolerância à doenças e que mantenham o potencial produtivo quando em situações de estresse (seca, baixas temperaturas e luminosidade).

Espaçamento / População - Por se tratar de uma época do ano em que há menor pluviosidade e insolação, a disposição das plantas deve possibilitar o melhor aproveitamento de água e luz  solar, contribuindo com os processos fotossintéticos. Espaçamentos mais fechados distribuem mais homogeneamente o sistema radicular das plantas, melhoram a arquitetura das folhas  otimizando a incidência da luz solar) e propiciam o sombreamento do solo evitando a evaporação e crescimento de plantas daninhas. Deve-se lembrar, entretanto, que a população deve seguir os critérios determinados para o híbrido escolhido pela empresa produtora das sementes e que a fertilidade do solo deve estar equilibrada para permitir o bom desenvolvimento de todas as plantas, evitando competição por nutrientes.

Época de Semeadura - O milho é extremamente dependente de temperatura para que sejam disparados os processos reprodutivos para formação das espigas e conseqüentemente, dos grãos. Em experimentos conduzidos em 4 estados (Figura 2) verificou-se que semeaduras realizadas até a segunda quinzena de fevereiro obtiveram produtividades próximas a 5 t/ha de grãos. Já lavouras semeadas após esta data apresentaram perdas de produtividade da ordem de 1 sc/ha.dia, principalmente por problemas advindos de défi cit hídrico e térmico na fase reprodutiva. Desta forma, a época recomendada para a semeadura do milho safrinha é até 15/fev, sendo tolerado a semeadura em algumas regiões até 10/mar.


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Semeadura - os maiores cuidados que devem ser tomados na semeadura são: respeitar o número de plantas e a profundidade de colocação da semente, bem como o posicionamento do fertilizante no sulco de semeadura. Este último ponto é de extrema importância pois os danos causados às sementes de milho que entram em contato com o fertilizante podem diminuir drasticamente a emergência e o stand da lavoura. Um experimento conduzido por Broch & Chueiri (2005) demonstrou que houve diminuição no stand da lavoura em até 36,5% com a aplicação de apenas 200 kg/ha de 19.10.19 (38 kg/ha de N, 20 kg/ha de P2O5 e 38 kg/ha de K2O). Esta diminuição foi devida principalmente à salinização do sulco de semeadura causando desidratação da semente e inviabilizando a emergência (Figura 3).


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Estes cuidados básicos trazem maior segurança ao sistema produtivo e potencializam a utilização dos nutrientes aportados pela adubação.

Manejo de nutrientes na nutrição e adubação do milho safrinha

Plantado geralmente em sucessão à soja, o milho safrinha tende a se aproveitar, além do solo, de parte dos nutrientes presentes nos restos culturais desta leguminosa e nos residuais das adubações. Entretanto, aos níveis de produtividades alcançados atualmente (em algumas regiões de até 90 sc/ha) a maioria dos solos brasileiros não tem total capacidade de garantir a nutrição adequada à cultura, sendo necessária à reposição de nutrientes.

É fato que as adubações de milho safrinha têm utilizado baixas doses de fertilizantes, todavia, o aporte de maiores quantidades de nutrientes têm apresentado bons resultados econômicos principalmente por ser o milho uma planta de metabolismo C4, com melhor aproveitamento de água e conversão fotossintética. Conforme demonstrado na Figura 4, a demanda do milho cresce linearmente à sua produtividade tornando a cultura extremamente exigente nutricionalmente mas, ao mesmo tempo, muito responsiva a incrementos na fertilidade do solo. Como exemplo, enquanto para uma produtividade de 4.000 kg/ ha a planta extrai cerca de 90 kg/ha de N, para a obtenção de 8.000 kg/ha o milho necessita de mais de 160 kg/ha de N. Extrapolando este número para o que seria uma boa produtividade de milho safrinha (80 sc/ha) estimaríamos que a necessidade de nitrogênio seria algo em torno de 130 kg/ha de N, já considerada a eficiência relativa do nitrogênio no solo (60%).


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Outro fator que deve ser bem mensurado quando falamos das repostas do milho a fertilidade do solo é que grande parte do que é absorvido pela planta será exportado pelos grãos. A exportação de macronutrientes (Figura 5) chega em alguns casos, como o do fósforo e nitrogênio a 80% e 68%, respectivamente. Logo, para manutenção dos níveis adequados destes, deve-se sempre ter em mente que para alguns nutrientes as adubações de manutenção são necessárias para manter os níveis adequados de fertilidade, evitando o comprometimento de culturas subseqüentes.


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Mesmo com esta alta exportação de alguns nutrientes, a introdução do milho na safrinha apresenta um grande passo quando pensamos em adubação do sistema; quando o milho entra na sucessão / rotação de culturas, ao mesmo tempo que ele funciona como um forte dreno de N e P este pode também servir como uma ferramenta de reciclagem de K, visto que a absorção de potássio é alta mas a exportação é baixa, além de agregar quantidades consideráveis de carbono (massa seca) imprescindível na manutenção dos níveis de matéria orgânica do solo.

Lavouras de milho safrinha com altas produtividades, de maneira geral, apresentam-se em áreas com aptidão climática favorável a cultura e com bom histórico de manejo da fertilidade dos solos, principalmente relacionados a teores de bases trocáveis, fósforo e matéria orgânica distribuídos adequadamente no perfi l. Esta distribuição da fertilidade em profundidade é de extrema importância para viabilizar o crescimento adequado das raízes e minimizar o impacto de possíveis veranicos que ocorram durante o ciclo da cultura.

Como a água é um fator determinante na absorção de nutrientes, o manejo da adubação deve ser guiado pelas condições do perfi l do solo; a utilização de adubação a lanço, por exemplo, visando aumentar o rendimento da semeadura e utilizar melhor a janela de semeadura, é viável desde que não haja histórico de déficit hídrico e que o solo apresente bons teores e boa distribuição de nutrientes na camada agricultável.

Na Figura 6 é demonstrado a distribuição dos teores de nutrientes. De maneira geral, as amostras de solo são coletadas na camada de 0-20 cm; alguns fatores como utilização do plantio direto sem rotação de culturas, adubação a lanço, ou mesmo compactação, podem fazer com que ocorra concentração de nutrientes em camadas superficiais (0-10 cm). Desta forma, quando é feita a amostragem de 0-20 cm, exemplo A, o teor médio de determinado nutriente é de 7 mg.dm-3, entretanto existe uma alta concentração na camada de 0-10 cm e baixa concentração na camada de 10-20 cm. Já no exemplo B, o teor médio do mesmo nutriente também é de 7 mg.dm-3, mas distribuído uniformemente de 0-20 cm. Note que mesmo com os teores médios iguais, a tomada de decisão quanto à localização do fertilizante pode ser totalmente diferente nos dois casos; outra inferência que se pode fazer é de que a planta A estará muito mais propensa a sofrer com secas do que a planta B, que explorará melhor o solo.

Relacionando ainda esta informação com espaçamento, pode-se deduzir que plantas que exploram maior volume de solo em profundidade tendem a competir menos entre si, possibilitando que o espaçamento utilizado seja mais "estreito" e contribuindo com a arquitetura de plantas conforme já discutido.


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Tão importante quanto a decisão das doses de nutrientes, a criação de um ambiente adequado para estes, evitando perdas e melhorando as condições físicas e químicas do solo, é via certa para contribuir com a boa performance da adubação.

Nutrição e adubação do milho Safrinha

 

NITROGÊNIO

O nitrogênio é o nutriente responsável pela formação de proteínas e crescimento vegetativo da planta. Desta forma, a sua absorção tem uma dinâmica similar à acumulação de matéria seca do milho (Figura 7), sendo que os estádios de maior demanda são os compreendidos entre V4 (4 folhas distendidas) e V12 (12 folhas distendidas), ou seja, durante a definição do potencial produtivo do milho.


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A principal fonte de nitrogênio para o milho é a matéria orgânica do solo. Uma pequena parte vem de leguminosas antecessoras, sendo a adubação uma suplementação da demanda da gramínea. Grande parte dos pesquisadores considera boas contribuições de N vindo da M.O. e das culturas antecedentes nos cálculos de doses de nitrogênio para o milho. Fancelli (2000) considera de 10 a 12 kg/ha de N para cada 1% de M.O. presente no solo, a partir de 2% de M.O. A Embrapa (2002) considera que cada 1% de M.O disponibilizaria ao longo de um ano cerca de 30 kg/ha de N.Quando o milho safrinha é plantado após soja, considera-se que para cada tonelada de grãos colhida ficam no solo cerca de 20 kg/ha de N.

Existem curvas já pré-estabelecidas em boletins para cada região das respostas do milho à aplicação de N, relacionadas com produtividade, teores de matéria orgânica do solo e histórico de área, por exemplo. Entretanto, tem-se buscado um refinamento das recomendações considerando principalmente o balanço de nitrogênio no sistema e utilizando-se equações para este fi m. Seguem, para conhecimento e utilização, algumas equações completas para estimativa das doses de N no milho safrinha.

  • Estimativa de Adubação Nitrogenada - Fancelli (2000)

N (kg/ha) = [ 18 x (PM+ 10%) / 1000 ] - CN

 

PM - Produtividade Média do Milho nos últimos 3 anos (kg/ha);

CN - Créditos de Nitrogênio - debitar do valor acima;

√ 17 a 20 kg/ha N para cada t de grãos de soja produzido;

√ 10 a 12 kg/ha N para cada 1% de M.O., a partir de 2%;

√ 0,8 a 1,2 kg/ha de N para cada t de fi tomassa verde.

 

  • Estimativa de Adubação Nitrogenada - Embrapa (2002)

N (kg/ha) = (PM x 0,02) - (30 x MO) - (CNleg + CNgram)

CNleg (kg/ha) = PR1 x 0,45 + PR2 x 0,22 + PR3 x 0,11

CNgram (kg/ha) = ( PR1 + PR2 + PR3 ) x 0,1

PM - Produtividade Esperada do Milho (kg/ha);

MO - Teor de Matéria Orgânica do Solo (%);

CNleg - Contribuição de N de leguminosas (kg/ha);

CNgram - Contribuição de N de gramíneas (kg/ha).

  • Sendo, PR1, PR2 e PR3 as produtividades de leguminosas/ gramíneas (em sc/ha) plantadas, respectivamente há um ano, dois e três anos.

 

Não é costumeira a prática da cobertura em milho safrinha, primeiro pelas baixas produtividades até então alcançadas e segundo pelo risco de falta de chuvas no período de aplicação do nitrogênio (com o solo seco, não haveria aproveitamento do N aplicado em superfície). Deste modo, surgiram recomendações apregoando a colocação da totalidade do nitrogênio no sulco de semeadura, vislumbrando problemas de seca na fase da cobertura e garantindo uma quantidade adequada de N para o milho.Por outro lado, há quem aplica todo o nitrogênio no sulco pela impossibilidade de trânsito de máquinas para a realização da cobertura por excesso de chuvas; todos estes pensamentos são corretos, entretanto, existem alguns inconvenientes oriundos desta prática.

Doses de nitrogênio maiores que 30 kg/ha no milho podem resultar em problemas de germinação e de maior incidência de doenças; grande quantidade de chuvas no início do ciclo podem lixiviar o nitrogênio aplicado no sulco diminuindo a eficiência da adubação; fertilizantes de semeadura com alta concentração de nitrogênio tem característica higroscópica (absorvem água) e podem dificultar a aplicação nas semeadoras.

Devido aos crescentes patamares de produtividade e a maior utilização de tecnologia, muitos produtores já parcelam doses relativamente altas de nitrogênio (60 a 70 kg/ha de N) entre semeadura e cobertura. Esta prática, como comentado acima, em áreas que tem bom histórico de chuvas e clima favorável à cultura do milho tem apresentado ótimos resultados econômicos e em produtividade.

FÓSFORO

Nutriente responsável pela síntese de compostos energéticos na planta (ATP), o fósforo é menos extraído do que o N e K (que são basicamente macronutrientes responsáveis pela estrutura da planta), entretanto a sua dinâmica de absorção pelo milho segue uma curva homóloga a produção de matéria seca e de grãos.

Existem duas fases distintas com relação à absorção de P no ciclo da cultura: vegetativa e reprodutiva.

Na fase vegetativa, o fósforo é menos exigido em quantidades absolutas do que os demais macronutrientes primários, já que nesta fase a planta necessita de energia para produzir basicamente carboidratos que são a grande parte dos tecidos vegetativos.

Quando a planta atinge a fase reprodutiva, todos os processos do seu metabolismo são voltados para uma função extremamente nobre: viabilizar o maior número de sementes (grãos) possíveis; a fase de enchimento de grãos consome uma imensa quantidade de energia porque a planta estará produzindo além dos carboidratos, proteínas e óleos.

Em média, até o final do ciclo vegetativo, a planta de milho absorve apenas 25% de todo o fósforo que ela precisará; esta absorção mais "tardia" é justamente porque a alta demanda energética acontece a partir da definição da produção. A introdução de fontes de liberação gradual de fósforo, como o FOSMAG®, tornam a liberação de P mais adequada para a cultura e diminuem o tempo de exposição do fósforo em solução, evitando a fixação deste nutriente pelas argilas.

Pela característica do P ser um nutriente importante na formação de raízes, a presença de teores adequados de fósforo bem distribuídos no perfi l promove uma melhor ocupação do solo pelo sistema radicular.

Na maioria das literaturas, em teores de P no solo classificados como "adequado", a  recomendação é de 8 a 10 kg/ha de P2O5 por tonelada de grãos, já considerada a eficiência do nutriente no solo, ou seja, para uma produtividade média de 4.200 kg/ha (70 sc/ha) seriam necessários de 34 a 42 kg/ha de P2O5. Deve-se lembrar, entretanto, que a maioria dos solos brasileiros, mesmo alguns trabalhados há muitos anos, não apresentam teores adequados de fósforo; nestes casos, é necessário reavaliar as doses de P2O5 que devem ser recomendadas ao milho safrinha de acordo com as calibrações de adubação locais. Na figura 8 são apresentadas algumas recomendações de doses de fósforo para a cultura do milho safrinha.


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POTÁSSIO

O potássio exerce um papel importante na planta relacionado ao aproveitamento de água (turgidez) e em processos de transporte de fotossintetizados. A absorção de potássio segue a tendência do nitrogênio, sendo que cerca de 70% do potássio que o milho necessita é absorvido em média até os 30 dias do ciclo; este é um dos fatores que explicam a ineficiência de adubações potássicas de cobertura após V12, sendo este o estádio fenológico limite para esta operação. Mesmo não formando nenhum composto na planta ele se faz presente em vários processos do metabolismo sendo importante na resistência à seca, baixas temperaturas e doenças.

Vários autores apregoam que a dose de potássio no sulco de semeadura não deve ultrapassar 50 kg/ha de K2O. Entretanto, como já visto acima no experimento de Broch e Chueiri (2005), doses próximas de 40 kg/há K2O já causaram grandes danos à emergência do milho; isto pode acontecer por problemas de proximidade do adubo com a semente ou mesmo por déficit hídrico (sem água o potássio tende a se concentrar em regiões no solo podendo causar danos a sementes ou mesmo a raízes).

Em solos com teor de potássio classificado como "adequado", o K pode ser aplicado em pré-semeadura a lanço (em solos mais argilosos) ou logo após a semeadura em cobertura (em solos de textura arenosa).

As recomendações de doses de potássio variam pouco entre regiões, sendo que, em média são necessários de 12 a 16 kg de K2O por tonelada de expectativa de grãos. Alguns ensaios têm demonstrado que relações N/K2O de até 1,0/1,5 (ou seja, para cada 1 kg de N aplicado seriam necessários 1,5 kg de K2O nas adubações) apresentam benefícios interessantes à produtividade e sanidade das plantas.

ENXOFRE

O enxofre aparece, depois do N, P e K, como um macronutriente absorvido em boas quantidades pelo milho. Constituinte de proteínas, ele desempenha funções que determinam aumentos na produção e na qualidade do produto obtido. Para a formação destas proteínas são necessários, em média, para cada 12 partes de N, uma parte de S; para a produção de 6,0 t/ha de grãos existe a absorção de cerca de 160 kg/ha de N e de 14 kg/ha de S. Devido a esta estreita relação entre o N e S deve-se atentar para que fontes de enxofre sejam incorporadas na adubação do milho.

Por ter uma alta mobilidade no solo, o íon sulfato (SO4-2) é carreado para camadas mais profundas do solo pelas águas das chuvas. Teores acima de 10 mg.dm-3 de S (extrator fosfato de cálcio) na camada de 0-40 cm são classificados como "adequados", havendo baixa resposta a adubação com este nutriente. Entretanto, a maioria das análises de solo são feitas de 0-20 cm e o resultado apenas desta profundidade pode fazer com que identifiquemos erroneamente uma deficiência de S (pois o enxofre tende a se acumular nas camadas mas profundas, abaixo de 20 cm). Logo, para a recomendação mais acurada de S faz-se necessário pelo menos uma análise das camadas de subsuperfície.

Fertilizantes como o Multifosfato Magnesiano (fonte de fósforo do FOSMAG®), superfosfato simples e sulfato de amônio são ótimas fontes de enxofre e devem ser utilizadas nas adubações de milho safrinha como garantia de aporte de S. A tendência de utilização de produtos altamente concentrados em N e P não contemplam os fertilizantes acima citados e podem contribuir para o aparecimento de deficiências de enxofre no milho safrinha, resultando em perdas de produtividade e qualidade de grãos.

MICRONUTRIENTES

Dos micronutrientes, com exceção ao ferro, o que mais tem apresentado resposta nas adubações de milho safrinha é o zinco, principalmente por ser ele o mais absorvido (cerca de 330 g de zinco para a produtividade de 6,0 t/ha de grãos) e o mais exportado (50% de exportação na colheita).

Poucas são as recomendações de pesquisa oficiais para doses de zinco em milho safrinha. Como bom senso, e por serem poucos os que fazem análises de micronutrientes no solo principalmente para culturas de safrinha) recomenda-se a aplicação de doses de manutenção de zinco. Estas doses variam de 300 a 500 g/ha de Zn; deve-se dar preferência a fertilizantes que possibilitem a melhor distribuição a campo destas pequenas doses de zinco para garantir a eficiência da adubação (fertilizantes com micronutrientes agregados ao grânulo de P ou mesmo granulados).

Há alguns relatos de resposta de milho safrinha à boro, principalmente em regiões de intensa pluviosidade nesta época aliada a baixos teores de matéria orgânica no solo. Por ser o B um micronutriente que depende muito da mineralização da M.O. e que é facilmente lixiviado, solos com baixos teores deste nutriente e expostos a volumes consideráveis de chuva podem responder a aplicação de boro via adubação.

Flávio Guanaes Bonini é assessor agronômico da marca Manah nos estados do MT e RO. Engenheiro Agrônomo pela ESALQ-USP.

 

Bibliografia:

COAMO/COODETEC. Fertilidade do solo e nutrição de plantas. 2ª ed. 93p. 2001.

COSTA, J.M.; OLIVEIRA, E.F. de. Fertilidade do solo e nutrição de plantas. Campo Mourão: COAMO/COODETEC 89p. 1998

EMBRAPA. Cerrado: Correção do solo e adubação. CPAC, Brasília. 1ª ed. 416p. 2002

FANCELLI, A.L. & D. DOURADO-NETO. Produção de Milho. Ed. Agropecuária, Guaíba. 360 p. 2000.

RAIJ, B. van; CANTARELLA, H.; QUAGGIO, J.A. & FURLANI A.M.C. Recomendações de adubação e calagem para o estado de São Paulo. 2ª ed. 285p. 1996. (Boletim Técnico nº 100).

RIBEIRO et al. Recomendação para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais. CFSEMG. 359p. 1999.









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