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Fev 2009 - Vantagens e Limitações de Fertilizantes Alternativos - nº 180
Para atingir o atual desenvolvimento técnico/econômico que a
agricultura e os produtores rurais brasileiros vêm conseguindo,
muitas barreiras já foram ultrapassadas.
A difusão do uso de fertilizantes, os avanços da ciência, a
pesquisa agropecuária e a decisão do agricultor são responsáveis
por colocar o Brasil numa posição de destaque entre os países
produtores de alimentos para o mundo.
Com a elevação dos preços dos fertilizantes, a busca por fontes
alternativas de adubação é uma realidade, no entanto, ainda não se
presencia essa prática no campo de forma expressiva.
Atualmente o grande desafio é: como fazer com que as fontes
alternativas de adubação tragam retorno econômico ao produtor?
Aparentemente, é algo muito simples substituir os fertilizantes
convencionais por fertilizantes alternativos. Nesta divulgação,
abordaremos o assunto de forma mais detalhada, enfatizando algumas
possibilidades de utilização, as vantagens e limitações no uso de
fertilizantes alternativos na agricultura.
Conceito e classificação dos fertilizantes
Os fertilizantes estão definidos na legislação brasileira
(Decreto 86.955, de 18 de fevereiro de 1982) como "substâncias
minerais ou orgânicas, naturais ou sintéticas, fornecedoras de um
ou mais nutrientes para as plantas". Têm como função repor ao solo
os elementos retirados em cada colheita, com a finalidade de manter
ou mesmo ampliar o seu potencial produtivo. Sua participação é
fundamental para o aumento do rendimento da agricultura.
Os fertilizantes, adequadamente manejados, são fatores de
recuperação de áreas degradadas, promovem o incremento da
produtividade agrícola, possibilitando a btenção de maiores
colheitas. Além disto, podem evitar indiretamente a abertura de
novas áreas intocadas com elevada importância sócio-ambiental e
política.
Os fertilizantes podem ser classificados em três
tipos:
- Fertilizante mineral: produto de natureza fundamentalmente
mineral, natural ou sintético, obtido por processo físico, químico
ou físico-químico, fornecedor de um ou mais nutrientes para as
plantas.
- Fertilizante orgânico: produto de natureza fundamentalmente
orgânica, obtido por processo físico, químico, físico-químico ou
bioquímico, natural ou controlado, com base em matérias-primas de
origem industrial, urbana ou rural, vegetal ou animal, enriquecido
ou não de nutrientes minerais.
- Fertilizante organomineral: produto resultante da mistura
física ou combinação de fertilizantes minerais e orgânicos.
Nesta publicação, o termo "fertilizante alternativo", quando
utilizado, estará se referindo a qualquer alternativa de adubação
aos produtos tradicionais existentes no mercado, independente da
origem.
São diversas as possibilidades (fontes) de fornecimento de
nutrientes para as plantas:
- Fertilizantes Convencionais (fonte não renovável);
- Resíduos Agrícolas e Agroindustriais (cama de frango, esterco
bovino, esterco suíno, vinhaça, torta de filtro, bagaço de
cana-de-açúcar etc.);
- Resíduos Urbanos (restos de feiras, lama de esgoto, lixo
orgânico etc.);
- Resíduos Industriais (cinzas, lodos de lagoas de decantação,
escórias);
Grande parte desses materiais, mesmo de origem orgânica, devem
passar por processos de tratamento (reciclagem, compostagem) antes
de serem aplicados ao solo. Alguns possuem impurezas e/ou
contaminantes, e sua utilização deve ser certificada e autorizada
pelo órgão ambiental competente.
A reciclagem é um processo de transformações físicas, químicas
e/ou biológicas dos materiais descartados e que são reintroduzidos
no processo produtivo, retornando a um estágio próximo às suas
características originais, para servirem como matéria-prima na
produção de novos materiais e/ou bens. As maiores vantagens da
reciclagem são: redução da utilização de fontes naturais, muitas
vezes não renováveis, e diminuir a quantidade de resíduos que
necessita de tratamento final, como aterramento, ou
incineração.
A compostagem é o processo de tratamento de resíduos que
apresenta maior flexibilidade operacional, combinando baixo custo e
alta eficiência em um só sistema. É um processo biológico
desenvolvido de forma aeróbia e que inclui uma fase termofílica (45
a 65 ºC), quando serão maximizadas a atividade microbiológica de
degradação e higienização (primeira fase do processo) e uma fase de
maturação ou cura, quando ocorrem a humificação e a produção do
composto.
O composto, produto resultante da compostagem, é uma excelente
fonte de matéria orgânica, microrganismos, macro e micronutrientes
essenciais. Além de melhorar a estrutura do solo, favorecendo
retenção de água e aeração, corrige efeitos tóxicos e regula o pH
do solo (efeito tampão).
A adição de grandes quantidades de resíduos animais ou vegetais
ao solo, desencadeia a formação de complexos organometálicos e
estes compostos proporcionam a diminuição da concentração de
alumínio trocável (Al+3) no solo. Este efeito beneficia o
desenvolvimento das plantas em solos tropicais com elevados teores
desse elemento, que é tóxico às raízes das plantas. No entanto, a
adição desses resíduos, mesmo em grandes quantidades, ainda tem
ação limitada sobre este elemento se comparada à ação do calcário.
Os valores da tabela 1 dão uma idéia desse fenômeno. Verifica-se
que a adição de 12 t ha-1 (base seca) de esterco bovino ou de cama
de aves, uma quantidade alta para aplicação na lavoura, diminuiu o
Al+3 de 6,0 para 5,2 e para 5,0 cmolc Kg -1, respectivamente

Vale lembrar entretanto, a contribuição da matéria orgânica na
formação de cargas elétricas do solo (Tabela 2), proporcionando
incremento na CTC (Capacidade de Troca Catiônica), fundamental para
retenção dos nutrientes, minimizando riscos de perda.

Por outro lado, o composto orgânico como única fonte de
nutrientes para as plantas é insuficiente para suprir a necessidade
que sustente altas produtividades.
Na tabela 3, podemos observar o conteúdo médio de nutrientes
presente na cama de suínos, cama de aves e torta de filtro (CS, CA
e TF, respectivamente).

A vinhaça (tabela 04) é outra fonte alternativa utilizada na
agricultura. Para se obter adição considerável de nutrientes,
particularmente o potássio, aplica-se em torno de 100 m3 ha-1. Para
o fósforo, a aplicação dessa quantidade de vinhaça adicionaria
entre 4 a 20 kg ha-1 deste nutriente ao solo.


É importante ressaltar que os teores dos nutrientes presentes
nas fontes alternativas são variáveis (tabelas 6 e 7). Mesmo em
fontes de origem orgânica é fundamental a realização das análises
físico-químicas dos materiais, antes da utilização na lavoura. Além
disso, tal análise consiste em excelente ferramenta para uma
decisão acertada do ponto de vista ambiental, econômico e
agronômico. A aprovação do órgão ambiental também é muito
importante. Algumas fontes podem causar sérios danos ao meio
ambiente, especialmente aos mananciais hídricos.


A decisão de utilizar uma fonte alternativa de adubação deve ser
acompanhada por um engenheiro agrônomo.
A análise físico-química do material para avaliação dos teores
de nutrientes presentes, presença de contaminantes (metais
pesados), pH, matéria orgânica etc., é indispensável. Um dos
efeitos positivos da aplicação de matéria orgânica é o suprimento
de nutrientes de forma equilibrada. O fornecimento de nutrientes
com adubação orgânica pode ser considerado sob dois aspectos: como
fonte direta de macro e micronutrientes, via processo de
mineralização e, na participação da fração orgânica em processos
que melhoram a disponibilidade dos nutrientes. Silva et al. (2004)
constataram acréscimos em rendimento na cultura do milho obtidos
com a aplicação de fertilizante mineral (convencional) associado à
aplicação de esterco bovino (EB). O pesquisador afirma que os
benefícios do EB foram observados nas propriedades físicas,
químicas e biológicas do solo.
Devido ao seu elevado teor de carbono, a matéria orgânica é a
fonte energética por excelência para a ocorrência de diversos
processos biológicos, que melhoram a disponibilidade de nutrientes
do solo. Dentre esses processos, merecem destaque a fixação
biológica do nitrogênio, em associações simbióticas e
assimbióticas, e a disponibilização de fósforo em associações
micorrízicas.
Além disso, a matéria orgânica pode formar com metais compostos,
com elevada estabilidade, conhecidos como quelatos. Esses metais
sofrem alteração na sua disponibilidade para as plantas, porque os
compostos apresentam maior solubilidade e porque muitos dos
exudatos radiculares são capazes de retirar estes elementos das
estruturas formadas com a matéria orgânica. A liberação gradual dos
nutrientes favorece a absorção pelas plantas diminuindo as perdas
para o ambiente.
O Sistema Plantio Direto (SPD) / Cultivo Mínimo, a rotação de
culturas e a Integração Lavoura-Pecuária são práticas que, de certa
forma, podem ser consideradas como uma "adubação alternativa". A
cobertura vegetal do solo propicia, entre outros benefícios, o
fornecimento (ciclagem) de nutrientes, objetivo principal da
prática da adubação.
Não devemos esquecer que a contribuição da cobertura vegetal na
ciclagem dos nutrientes é complementar, uma vez que para atingir-se
as produtividades desejáveis para a agricultura atual, a adubação
mineral é imprescindível.
A reposição de nutrientes ao solo e o fornecimento de nutrientes
às plantas, podem ser favorecidos pelo uso eficiente e balanceado
de fontes, convencionais e alternativas, e pelo uso de práticas
adequadas de manejo de solos. Aplicando-se 400 kg ha-1do Fosmag®
572.1,( figura 1), que contém 18% de fósforo, na adubação da soja,
estaremos fornecendo 72 kg ha-1 de fósforo. Por outro lado, a
utilização da cama de aves que contém 2,4% de fósforo seriam
necessários 3.000 kg ha-1 para fornecer a mesma quantidade de
fósforo.
Levar informações sobre técnicas corretas aos agricultores é o
nosso objetivo. As alternativas existem e nós acreditamos nos
vários benefícios das fontes alternativas; desde que sua aplicação
seja realizada tecnicamente e ajustada para realidade de cada
produtor. Muitas técnicas já são conhecidas para que isso seja
alcançado. Mas, geralmente, elas não são postas em prática. Uma
adubação eficiente é importante sob ambos os aspectos: econômico e
ambiental. Isso é o mesmo que minimizar perdas de nutrientes para o
ambiente, enquanto se obtêm rendimentos ótimos da cultura.
A Manah apóia e promove ativamente o uso e a produção dos
nutrientes das plantas de forma eficiente e responsável, a fim de
manter e incrementar a produção agrícola brasileira de maneira
sustentável.

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