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Divulgações Técnicas

Abr/Mai/Jun/2005 - Efeito do Equilíbrio Nutricional na Severidade de Doenças de Plantas - nº168
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Efeito do Equilibrio Nutricional na Severidade de Doenças de Plantas

* Eng. Agr. Msc Hasley B. Sales

A ocorrência de doenças em plantas requer condições adequadas para que esta relação aconteça. Ao contrário do que pa­rece este fenômeno não depende somente da presença do microorganismo pato­gênico e do hospedeiro, a planta.

A nutrição sempre foi o componente primário no controle de doenças. Antigos colonizadores migraram para solos "novos" com reduzida disponibilidade imediata de nutrientes e a severidade das doenças aumentou. Rotação de cultura e pousio tornaram a produção possível atra­vés do Suprimento de nutrientes e o contro­le de ervas daninhas que competiam por estes nutrientes e umidade. Ambos fatores contribuem notadamente para a redução de doenças e permanecem como prática padrão no controle. Práticas culturais de controle de doen4as tais como sequencia das culturas, correção orgânica,calagem para o ajuste do pH e irrigação frequentemente influenciam as doenças através da interação dos nutrientes.

Estas práticas suprem diretamen­te os nutrientes ou rendem mais ou menos solubilidade através da atividade microbiológica. O advento dos fertilizantes inorgânicos de alta solubilidade para a agricultura influenciou por outro lado o fim de muitas doenças através do melhoramento da resistência das plantas, escape, alteração na patogenicidade ou interações microbiológicas influenciando estes fatores (Engelhard, 1989). De maneira geral, a ocorrência das doenças é orientada pela relação entre ambiente, planta e patógeno. A figura 1 descreve esta relação ressaltando itens, dentro de cada um dos fatores, que alteram a expressão da doença.

Segundo Huber (1989), a nutrição influencia todos os fatores correlacionados com a doença. Se a dinâmica da maioria dos ciclos de nutrientes for considerada, não surpreenderá descobrir que algumas formas de controle biológico e muitos solos supressivos (solos onde a incidência de doenças e severidade permanece relativamente baixa  mesmo com a introdução de patógenos) refletem a manifestação da atividade microbiana que influencia a disponibilidade de nutrientes.


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As principais mudanças proporcionadas pela nutrição mineral, responsável por reduzir a intensidade de doenças são paredes celulares e cutículas mais espessas, manutenção dentro da célula de compostos solúveis, como açúcares simples, aminoácidos, maior suberização, silificação e lignificação dos tecidos, maior síntese e acúmulo de compostos fenólicos e menor abertura de estômatos (Huber, 2002). No caso de doenças de etiologia fúngica, principalmente as manchas foliares, a proteção promovida pela nutrição mineral balanceada seria o resultado de:

a) Eficiente barreira física, inibindo a penetração;

b) Melhor controle da permeabilidade da membrana citoplasmática, evitando assim a saída de açúcares e aminoácidos para o espaço intercelular;

c) Barreira química, com produção ou formação de compostos fenólicos com propriedades fungistáticas.

Segundo Pozza (2003) não é possível generalizar os efeitos de um nutriente específico para todas as combinações patógeno-hospedeiro-ambiente. Os nutrientes funcionam como parte de um complexo sistema de reações interdependentes, as quais constituem uma das medidas de controle a integrar o manejo do patossistema. Existe também grande dependência das características físicas e químicas dos solos, do clima, das fontes e quantidades dos nutrientes. Diante do exposto, a nutrição mineral surge como opção viável para aumentar a resistência das plantas às doenças, de forma a seguir a tendência mundial de reduzir o uso de agrotóxicos, reduzindo o impacto ambiental e aumentando a sustentabilidade do agroecossistema, além de obter alimentos saudáveis de maneira a proporcionar maior qualidade de vida.

Macronutrientes Primários (N, P e K)

O nitrogênio promove o crescimento vigoroso, retarda a maturação e é essencial para a produção de aminoácidos, proteínas, hormônios de crescimento, fitoalexinas e fenóis (Huber, 1980). O efeito deste nutriente na resistência das plantas aos patógenos pode ser entendida da seguinte forma. Quando sua oferta é alta, aumenta a demanda por carbono da fotossíntese, comprometendo a síntese de metabólitos secundários pela via do ácido chiquímico. Esta condição reduz a produção de compostos fenólicos (fungistáticos) e de lignina na folha. O nitrogênio também aumenta a concentração de aminoácidos e de amidas no apoplasto e na superfície foliar, que aparentemente têm maior influência que os açúcares NE germinação e no desenvolvimento de parasitas obrigatórios (Yamada, 2004).Segundo Marschner todos os fatores que favorecem as atividades metabólicas e de síntese de células das hospedeiras (ex: adubação nitrogenada) também aumentam a resistência a parasitas facultativos, que preferem tecidos senescentes. A tabela 1 apresenta o efeito do nitrogênio e potássio na severidade de algumas doenças.


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A forma do nitrogênio (amônio ou nitrato) disponível para o hospedeiro ou patógeno afeta a severidade ou resistência mais que a quantidade do elemento (Agrios, 1980). O aumento na severidade das doenças, na presença de amônio é geralmente devido ao pH ácido, enquanto o aumento devido ao nitrato é geralmente associados a condições de pH neutro a alcalino (Keinath & Loria, 1990; Jones et al. 1990). Na tabela 2 podemos analisar o efeito da forma de nitrogênio na severidade de doenças.


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O fósforo aumenta a resistência às doenças, por elevar o teor na planta ou por acelerar a maturação dos tecidos, auxiliando-a a escapar da infecção por patógenos que têm preferência por tecidos jovens. Em raízes, com baixo nível de P, foi observado um decréscimo de fosfolipídios com um correspondente aumento na permeabilidade da membrana celular e da exudação radicular tendo o inverso sido observado em altos níveis de fósforo. De acordo com esses resultados, a exudação das raízes influencia na atividade de patógenos, desde que fósforo induza um decréscimo na exudação radicular, o que é correlacionado com a redução da severidade da doença.

Dos macronutrientes citados na literatura científica, o potássio é o elemento que apresenta consistentes resultados positivos na redução da incidência de pragas e doenças. De modo geral, reduz a susceptibilidade das plantas tanto a parasitas obrigatórios quanto a facultativos como pode ser visto na tabela 1. A elevada susceptibilidade de plantas deficientes em potássio a certas doenças está relacionada com as funções metabólicas desse elemento. Em plantas deficientes, a síntese de compostos de elevado peso molecular proteínas, amido e celulose) é diminuída, enquanto compostos orgânicos de baixo peso molecular, acumulam-se. O teor de glutamina, por exemplo, é particularmente alto nas plantas deficientes em potássio e favorece a germinação de esporos. Ela também retarda a cicatrização de feridas, favorecendo a penetração tanto de fungos como de insetos (Yamada, 2004). Em plantas deficientes em K, um aumento no seu fornecimento conduz a um aumento no crescimento e diminui o conteúdo de compostos orgânicos de baixo peso molecular, até o ponto em que o crescimento é máximo. Por outro lado, aumentos no nível de K na planta, além do ótimo, não causa efeitos substanciais nos constituintes orgânicos e nem na resistência a doenças (Zambolim & Ventura, 1993).

Macronutrientes secundários (Ca, Mg e S)

O cálcio tem um papel crítico na divisão e desenvolvimento celular, na estrutura da parede celular e na formação da lamela médica, sendo relativamente imóvel nos tecidos (Huber, 1980). O conteúdo de cálcio nos tecidos das plantas afeta a incidência de doenças parasíticas de duas formas: na primeira, quando os níveis de cálcio são baixos, o efluxo de compostos de baixo peso molecular (açúcares) do citoplasma para o apoplasto é aumentado; na segunda, poligalacturonatos de cálcio são requeridos na lamela média, para que haja estabilidade da parede celular. Exemplo desta utilização é dado na tabela 3.


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O enxofre ocorre sobre a forma reduzida, nas plantas, e é incorporado em aminoácidos, proteínas, enzimas, vitaminas, óleos aromáticos e ferrodoxinas (Marschner, 1986). No Brasil, plantas desenvolvidas em solos de cerrado podem mostrar deficiência de enxofre. Para correção da deficiência, tem sido recomendado o gesso ou fertilizante que contêm o enxofre, em associação ou não com a calagem do solo (Alvarez, 1988). De maneira geral o efeito do enxofre sobre o pH do solo tem sido apontado como o fator responsável na redução da severidade de doenças.

Como constituinte da clorofila, o magnésio é importante na fotossíntese. Está também associado com a velocidade de crescimento das plantas, mitose, níveis de proteínas, metabolismo de carboidratos e fosforilação oxidativa em células fisiologicamente jovens. Diferente do cálcio, o magnésio é translocado de partes "maduras" da planta, para aquelas em crescimento ativo (Zambolim & Ventura, 1993). O magnésio está constantemente associado ao cálcio, já que pode ser aplicado ao solo, visando a neutralizar o pH. Da mesma forma que o cálcio, o magnésio pode reduzir ou não a severidade de doenças, dependendo da combinação hospedeiro-patógeno e do ambiente. Alguns autores tem atribuído ao desbalanço nutricional, envolvendo cálcio, magnésio e enxofre a causa primária do ataque desses patógenos (CSINOS et al. 1984). Práticas de manejo que podem levar a este desbalanço são: uso inadequado de calcário; utilização contínua de produtos isentos de Ca e S sem a preocupação de inserir estes nutrientes de forma equilibrada no sistema.

Micronutrientes

Os estudos sobre hospedeiro sugerem que o íon ferro pode atuar na ativação de enzimas necessárias para a síntese de compostos antifúngicos. A ausência do íon ferro resulta na susceptibilidade das células atuando na ativação de enzimas necessárias para a síntese de compostos antifungos. Em síntese, os resultados sugerem que o íon ferro é essencial para a síntese de fitoalexinas e indução de resistência as doenças.

Baixas quantidades de cobre das folhas e brotações estimulam a atividade da peroxidade, enquanto que alta concentração de cobre pode reduzir também a atividade da catalse. A inibição da proxidadase, pode também a atividade da catalase. A inibição da peroxidase, pode também resultar no acúmulo de compostos fenólicos com efeitos bactericidas, tornando os tecidos da planta resistentes à infecção por Erwinia amylovora. Alta concentração de cobre induz a atividade da polifenoloxidase que é responsável pela conversão de compostos fenólicos em substâncias bactericidas, denominadas quinonas. Em síntese, o íon cobre pode induzir resistência pelo aumento da síntese de peróxidos, compostos fenólicos e quinonas, tendo todos propriedades bactericidas.

Estudos vem mostrando que o contepudo de silíco, da parede celular das células da epiderme, pode ser muito importante na resistência de plantas a doenças e que a supressão dos depósitos de silício pode induzir susceptibilidade. As gramíneas, em geral, e, particularmente, o arroz são acumuladores de silício (Marschner, 1986). Com aumento na disponibilidade de silício o teor nas folhas também aumenta, induzindo resistência, que se manifesta por um decréscimo no número de manchas, parece estar diretamente relacionado com a concentração de silício na solução do solo e nas folhas (figura2).


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O manganês é um elemento importante no auxílio ao controle das doenças das plantas. A presença do manganês no solo é extremamente complexa e envolve interações químicas e microbiológicas. A transformação de Mn³+ insolúvel ou óxido de Mn4+ para Mn²+ solúvel é altamente dependente de fatores do ambiente tais como pH do solo, umidade, nutrientes, inibidores da nitrificação, matéria orgânica e atividade microbiana. As concentrações de manganês nas plantas têm sido alteradas em função da presença de patógenos, sendo, no entanto, a sua magnitude influenciada pela planta hospedeira ou cultivar e pelo órgão infectado (Huber & Wilhem, 1988). O teor de Mn é normalmente baixo nos tecidos susceptíveis em comparação com tecidos resistentes, mas aumenta em áreas localizadas próximo aos pontos de infecção. Possivelmente, o efeito do manganês, mais comumente verificado, é a modificação da resistência, devido à presença e exudados tóxicos (Zambolim & Ventura, 1993).

Segundo Cakamk et al. (1995) a deficiência de boro tem efeito no vazamento de K+ e de solutos orgânicos nas células. Comparando às folhas com teores suficientes de boro, o tratamento com menor teor de boro deixou vazar 35 vezes mais aminoácidos. O tratamento com boro por 20 minutos foi suficiente para restabelecer a permeabilidade das membranas das folhas B - deficientes para o nível das folhas com suficiência de boro, indicando o particular papel deste elemento na manutenção da integridade das membranas plasmáticas. Cakmak e Römheld (1977) citam que, apesar dos rápidos e claros efeitos do boro afetaria a integridade estrutural e/ou funcional das membranas plasmáticas são pouco conhecidos. O boro parece ter papel estrutural crítico nas membranas plasmáticas pela sua habilidade em se ligar com compostos da membrana contendo grupos cis-diol, tais como glicoproteínas e glicolipídeos.

O zinco é outro importante nutriente necessário na manutenção da integridade das biomembranas. Em condições de deficiência de zinco ocorre o aumento típico da permeabilidade da membrana plasmática indicada pelo maior vazamento de solutos de baixo peso molecular, redução no conteúdo de fosfolipídeos, conforme observado por Cakmak & Marschner (1998).

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